Tratamento de varizes pelo SUS: opções, acesso e cuidados essenciais

As varizes afetam milhões de brasileiros e pessoas ao redor do mundo, causando desconforto, dor e preocupações estéticas. Entender como funciona o acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), quais procedimentos estão disponíveis e como se preparar para cada etapa pode fazer uma diferença significativa na qualidade de vida de quem convive com essa condição.

Tratamento de varizes pelo SUS: opções, acesso e cuidados essenciais

O que são varizes e quando buscar avaliação

Varizes são veias dilatadas, tortuosas e visíveis que aparecem principalmente nas pernas e nos pés. Elas surgem quando as válvulas internas das veias deixam de funcionar corretamente, permitindo que o sangue se acumule em vez de seguir normalmente em direção ao coração. Os sinais mais comuns incluem veias azuladas ou roxas protuberantes, sensação de peso e cansaço nas pernas, inchaço no final do dia, coceira ou queimação na região afetada e, em casos mais avançados, alterações na pele como escurecimento e feridas de difícil cicatrização. Quando esses sintomas interferem nas atividades diárias ou quando surgem complicações como tromboflebite ou úlceras venosas, é indicado buscar avaliação médica, inclusive pelo SUS.

Opções de tratamento disponíveis pelo SUS

O SUS oferece diferentes abordagens para o tratamento de varizes, que variam conforme a gravidade do caso. As medidas conservadoras são frequentemente o ponto de partida e incluem o uso de meias de compressão elástica, orientações sobre mudanças no estilo de vida e uso de medicamentos venotônicos em alguns casos. Quando as varizes são de pequeno calibre, a escleroterapia pode ser indicada — trata-se de um procedimento em que uma substância é injetada na veia para fechá-la. Para casos mais graves, especialmente com veias de maior calibre ou complicações, procedimentos cirúrgicos como a safenectomia (retirada da veia safena) podem ser realizados. O SUS também oferece manejo de complicações como úlceras venosas e infecções. É importante destacar que os resultados variam de pessoa para pessoa e nenhum tratamento oferece garantias absolutas.

Como acessar o tratamento pelo SUS

O caminho para o tratamento de varizes pelo SUS começa na atenção básica, ou seja, na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. O médico de família ou clínico geral fará uma avaliação inicial e, se necessário, emitirá um encaminhamento para o especialista em cirurgia vascular. Na consulta com o vascular, podem ser solicitados exames como o eco-Doppler venoso dos membros inferiores, que avalia o fluxo sanguíneo nas veias. O tempo de espera para consulta especializada e para procedimentos pode variar bastante dependendo da cidade, do estado e da disponibilidade de serviços na região. O agendamento geralmente é feito por meio do sistema de regulação de cada município, e o acompanhamento do status pode ser feito diretamente na UBS ou, em alguns locais, por plataformas digitais da gestão pública.

Como se preparar para consultas e procedimentos

Antes de uma consulta ou procedimento, é fundamental reunir documentos como cartão do SUS, exames anteriores e laudos médicos relevantes. Para procedimentos cirúrgicos, o médico solicitará exames pré-operatórios como hemograma, coagulograma, eletrocardiograma e avaliação anestésica. O paciente deve informar ao médico sobre todos os medicamentos em uso, incluindo anticoagulantes, e seguir as orientações sobre jejum e suspensão de determinados medicamentos antes do procedimento. Os riscos possíveis incluem hematomas, infecções, reações à anestesia e, em casos raros, trombose venosa profunda. As expectativas de recuperação devem ser realistas: após cirurgias, é comum haver desconforto por alguns dias a semanas, e o retorno pleno às atividades normais pode levar de algumas semanas a meses, dependendo do procedimento realizado.

Cuidados pós-tratamento e prevenção de novas varizes

Após o tratamento, o uso de meias de compressão elástica é uma das principais recomendações e deve ser seguido conforme orientação médica, geralmente por várias semanas. A prática regular de atividade física de baixo impacto, como caminhadas e natação, favorece a circulação venosa e contribui para a recuperação. Feridas ou incisões cirúrgicas devem ser mantidas limpas e secas, e qualquer sinal de infecção — como vermelhidão, calor ou secreção — deve ser comunicado ao médico imediatamente. Para reduzir o risco de desenvolvimento de novas varizes, recomenda-se evitar longos períodos em pé ou sentado sem movimentação, manter peso adequado, elevar as pernas durante o repouso e usar calçados confortáveis. Essas medidas não eliminam completamente o risco de recorrência, mas contribuem significativamente para o bem-estar vascular a longo prazo.